O cenário macroeconômico mundial e o encerramento das atividades do Silvergate Bank

O cenário macroeconômico atual é um tema de grande importância para a sociedade e, principalmente, para os investidores, tendo em vista o óbvio impacto na vida de cada um, tenham as pessoas a noção ou não do real motivo por trás das mudanças gradativas no dia a dia que se veem obrigadas a tomar, a exemplo de redução de frequência dos lazeres aos finais de semana, adiamento de viagens e escolhas mais baratas em produtos da cesta básica.

É extremamente necessário elencar e levar em consideração que ainda estamos dando os primeiros passos após encontrarmos o caminho de saída da pandemia de COVID-19, que afetou todas as áreas da economia principalmente em 2020, devido às medidas de restrição impostas mundialmente para combater a disseminação do novo vírus. Nesse mesmo ano, houve indício de recuperação com a retomada de atividades e com a injeção de estímulos fiscais e monetários pelos governos e bancos centrais (o que vamos comentar com mais detalhes a seguir).


No ano seguinte, 2021, ocorreu o forte avanço da vacinação em diversos países e a economia mundial começou a trilhar o seu caminho de volta à normalidade, o que se estendeu por 2022, mas deixou algumas sequelas no corpo econômico global como um todo, e agora obriga o mundo a enfrentar alguns sérios desafios financeiros.

Um desses desafios, e provavelmente o mais relevante, é a inflação. Com a retomada das atividades econômicas, a demanda por produtos e serviços aumentou. Mas o que isso significa? Ora, aumento nos preços. Além disso, a alta nos valores das commodities como o petróleo e os metais também têm contribuído para a pressão inflacionária.

Para lidar com isso, os bancos centrais espalhados pelo mundo têm adotado uma postura mais restritiva, aumentando frequentemente as taxas de juros (e não dando sequer sinais de estabilização e consequentemente redução dessas taxas), o que pode (e deve) afetar o consumo e os investimentos em geral, desacelerando o crescimento econômico e alavancando crises/recessões.

Após essa contextualização, adentraremos no tema que realmente queremos tratar: o que aconteceu com o maior “banco de criptomoedas” do mundo, o Silvergate Bank?

Em operação desde 1988, mas nessa época apenas concedendo empréstimos a indústrias e trabalhando com financiamentos imobiliários tanto residenciais como comerciais, o banco que teve seu fim anunciado há pouco começou a se envolver com ativos digitais em meados de 2013 e em 2017, apenas quatro anos depois, já possuía 1.9 bilhão de dólares em sua custódia nesse segmento, patrimônio compartilhado por 250 clientes.


Após acumular queda superior a 98% em suas ações em pouco mais de 1 ano, o Silvergate Bank anunciou, na última quarta-feira (08/03/2023), que irá encerrar suas operações. Ainda houve uma tentativa de “pedido de socorro” ao FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation), uma espécie de agência garantidora de depósitos bancários, como se fosse o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) brasileiro, e uma outra tentativa com atuais e potenciais grandes clientes do segmento de criptomoedas que poderiam prover liquidez para permitir a continuidade atividades do banco, mas essas tentativas não lograram êxito.

Entendemos que entre os motivos para tal consolidação de falência possa estar o colapso da Corretora FTX ocorrido em novembro de 2022, que deixou inúmeros investidores a ver navios, mas é importante ressaltar que até o momento o Silvergate Bank não foi acusado de qualquer irregularidade ou envolvimento com o caso.

Ainda na última quarta-feira (08/03/2023), mesmo dia do anúncio de encerramento das operações do Silvergate Bank, o Presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos (FED), Jerome Powell, fez um pronunciamento “pesado”, tanto tratando do nível de empregabilidade (dado divulgado mensalmente) nos Estados Unidos, quanto informando que “a instituição poderá elevar os juros em ritmo mais rápido que o previsto” (sendo que o “previsto” já não era favorável) e isso significa nada menos que a evasão de capital dos mercados mais arriscados, entre eles o de ações e criptomoedas, resultando numa maior adesão à renda fixa e investimentos de baixo risco, tendo em vista que acaba sendo desnecessário se expor financeiramente para conseguir ótimos rendimentos.

O mercado de criptomoedas foi contemplado pelo prejuízo desses eventos e o Bitcoin (btc) perdeu o suporte dos US$20.000 nessa sexta-feira (10/03/2023), chegando a uma desvalorização na casa dos 15% nos últimos 7 dias. A segunda maior criptomoeda do mundo, o Ethereum (eth), acumulou queda na casa dos 14% no mesmo período. Até o final desta redação, na noite do sábado (11/03/2023) ambas as criptomoedas demonstram alguma recuperação e se encontram acima dos suportes de US$20.000 e US$1.400, respectivamente.

Ainda na tarde da sexta-feira (10/03/2023), recebemos a informação de que o Silicon Valley Bank (banco financiador de startups), 16ª maior instituição financeira dos Estados Unidos, com 219 bilhões de dólares em ativos, mas com ações que acumularam queda de 87% após tentativa frustrada de levantar capital, ocasionando causou uma “corrida por saques” e consequentemente uma crise de liquidez, foi fechado pelo Governo Americano. Isso significa nada menos que a “quebra” de dois bancos intimamente ligados ao mercado de tecnologia e investimentos em criptomoedas, o que só vai alavancar a crise no setor.

E mais uma vez o mercado de criptomoedas sofre, desta vez com o USDC, da Circle, que mantinha aproximadamente 8% de seu capital no Silicon Valley Bank, o que fez com que o desespero tomasse conta dos detentores do ativo, ocasionando venda em massa, levando à perda da paridade com o dólar, fazendo com que o USDC chegasse a atingir na madrugada deste sábado (11/03/2023) o valor de US$0,87. A Circle manifestou-se (com excessiva demora, diga-se de passagem) e tranquilizou os investidores, esclarecendo que apenas uma parte pequena de seu capital estava exposto e já demonstrando clareza na resolução dessa situação. A recuperação já está em andamento, e o USDC já é negociado por US$0,097 por volta das 20h de hoje.

Sabemos que enfrentar o mercado financeiro assim pode ser desafiador e até mesmo assustador. Em contrapartida, a crise pode ser vista como uma oportunidade para aprendizado e crescimento, e nós do Investificar te lembramos que as oportunidades de transformação e mudança estão justamente nos momentos mais difíceis, desde que fazendo as escolhas certas.

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